A função de um Ministro da Agricultura deverá ser sempre o representante e a voz dos agricultores no Governo, deverá ser quem conheça o sector, se interesse por ele e, muito importante, compreenda a especificidade da agricultura e de quem nela trabalha, tendo conhecimento dos problemas que atravessam.
Ora, o Dr. Jaime Silva é tudo menos isto. Representante e voz dos agricultores no Governo nunca foi e também duvido que venha a ser, é e será sempre o representante da Comissão Europeia no Governo, pois está mais interessado em não arranjar incompatibilidades nem zangas com a entidade da qual é empregado, do que em falar pelos agricultores portugueses, quer seja no executivo governamental, quer seja em defesa da agricultura portuguesa nas instituições europeias. Conhecer o sector da agricultura é a coisa que o Dr. Jaime Silva menos sabe, quando era preciso garantir o cultivo dos cereais, desincentiva a sua produção, vindo meses mais tarde agradecer pelos que não lhe deram ouvidos e deram razão ao antigo provérbio: "vozes de burro não chegam ao céu". Interesse pelo sector nuca demonstrou, pois quando é preciso defender mais verbas do orçamento para agricultura e melhor racionamento das verbas gastas no ministério da agricultura o ministro da agricultura passa a ministro invisível ou mudo, pois ninguém o ouve nem dá por ele. Para que se saiba a verba que aumentou no orçamento de estado destinada ao ministério da agricultura foi a que diz respeito às despesas com o gabinete de Sua Excelência. Nunca compreendeu a especificidade da agricultura e de quem nela trabalha, não sabe como a agricultura portuguesa atravessa dias difíceis provocados pela concorrência internacional, que conta com a ajuda dos governos locais, como é o caso da vizinha Espanha, onde o agricultor não é olhado como um vigarista e como um alvo a abater, como é pelo Dr. Jaime Silva. Quando cancelou o pagamento da electricidade verde aos agricultores, com base em ter apanhado 2 agricultores a encherem as piscinas com essa electricidade, demonstra acima de tudo cobardia e falta de dignidade, pois se queria fazer algo o que deveria ter feito era levantar processos a esses 2 agricultores e continuar com o compromisso com os outros milhares. Se o actual Ministro da Agricultura conhecesse os problemas que a agricultura atravessa não permitiria que fossem devolvidos a Bruxelas vários mil milhões de euros destinados à agricultura portuguesa porque o Ministério sobre a sua tutela não abriu as disponibilizou a tempo aos portugueses, talvez a União Europeia lhe agradeça, pois nós não podemos. Se soubesse os problemas que os agricultores atravessam não demorava a abrir o último quadro do PRODER, que abriu tarde e cheio de erros, alguns parecem mesmo propositado para chumbar projectos e atrasar pagamento. A primeira fase de candidaturas fechou em Setembro e ainda não há nenhum contrato assinado. Os agricultores, incluindo os jovens agricultores começaram a fazer investimentos ilegíveis com base neste PRODER em Janeiro de 2007, passado mais de 2 anos o Governo ainda não pagou nada.
Por isso, meus caros amigos, penso que seria útil aos jovens agricultores e a Portugal que a JP oferecesse um Bilhete só de ida para Bruxelas ao Dr. Jaime Silva, para ele lá ficar e não voltar.
António José de Moraes Baptista
Impresso em www.juventudepopular.org