Segunda-feira, 08 de Fevereiro de 2010
31.3.2008

E se oferecêssemos um Bilhete só de ida ao Dr. Jaime Silva?

Passado mais de 4 anos da tomada de posse do actual Governo muitas, e justas, são as críticas que se podem fazer ao trabalho, ou em alguns casos falta dele, dos membros do actual executivo. Muitos, ou quase todos, os Ministros são maus, mas existe um que pela natureza muito própria da maneira de trabalhar merece a minha especial atenção. Falo, como é óbvio, do Ministro da Agricultura, Dr. Jaime Silva e do seu comportamento enquanto Ministro de um Governo de Portugal.

A função de um Ministro da Agricultura deverá ser sempre o representante e a voz dos agricultores no Governo, deverá ser quem conheça o sector, se interesse por ele e, muito importante, compreenda a especificidade da agricultura e de quem nela trabalha, tendo conhecimento dos problemas que atravessam.

Ora, o Dr. Jaime Silva é tudo menos isto. Representante e voz dos agricultores no Governo nunca foi e também duvido que venha a ser, é e será sempre o representante da Comissão Europeia no Governo, pois está mais interessado em não arranjar incompatibilidades nem zangas com a entidade da qual é empregado, do que em falar pelos agricultores portugueses, quer seja no executivo governamental, quer seja em defesa da agricultura portuguesa nas instituições europeias. Conhecer o sector da agricultura é a coisa que o Dr. Jaime Silva menos sabe, quando era preciso garantir o cultivo dos cereais, desincentiva a sua produção, vindo meses mais tarde agradecer pelos que não lhe deram ouvidos e deram razão ao antigo provérbio: "vozes de burro não chegam ao céu". Interesse pelo sector nuca demonstrou, pois quando é preciso defender mais verbas do orçamento para agricultura e melhor racionamento das verbas gastas no ministério da agricultura o ministro da agricultura passa a ministro invisível ou mudo, pois ninguém o ouve nem dá por ele. Para que se saiba a verba que aumentou no orçamento de estado destinada ao ministério da agricultura foi a que diz respeito às despesas com o gabinete de Sua Excelência. Nunca compreendeu a especificidade da agricultura e de quem nela trabalha, não sabe como a agricultura portuguesa atravessa dias difíceis provocados pela concorrência internacional, que conta com a ajuda dos governos locais, como é o caso da vizinha Espanha, onde o agricultor não é olhado como um vigarista e como um alvo a abater, como é pelo Dr. Jaime Silva. Quando cancelou o pagamento da electricidade verde aos agricultores, com base em ter apanhado 2 agricultores a encherem as piscinas com essa electricidade, demonstra acima de tudo cobardia e falta de dignidade, pois se queria fazer algo o que deveria ter feito era levantar processos a esses 2 agricultores e continuar com o compromisso com os outros milhares. Se o actual Ministro da Agricultura conhecesse os problemas que a agricultura atravessa não permitiria que fossem devolvidos a Bruxelas vários mil milhões de euros destinados à agricultura portuguesa porque o Ministério sobre a sua tutela não abriu as disponibilizou a tempo aos portugueses, talvez a União Europeia lhe agradeça, pois nós não podemos. Se soubesse os problemas que os agricultores atravessam não demorava a abrir o último quadro do PRODER, que abriu tarde e cheio de erros, alguns parecem mesmo propositado para chumbar projectos e atrasar pagamento. A primeira fase de candidaturas fechou em Setembro e ainda não há nenhum contrato assinado. Os agricultores, incluindo os jovens agricultores começaram a fazer investimentos ilegíveis com base neste PRODER em Janeiro de 2007, passado mais de 2 anos o Governo ainda não pagou nada.

Por isso, meus caros amigos, penso que seria útil aos jovens agricultores e a Portugal que a JP oferecesse um Bilhete só de ida para Bruxelas ao Dr. Jaime Silva, para ele lá ficar e não voltar.

António José de Moraes Baptista

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